O papel dos adoçantes de baixo teor calórico na prevenção e controle do sobrepeso e obesidade

13 de dezembro de 2017 — Uma revisão recente publicada na Proceedings of the Nutrition Society examinou os resultados dos estudos de intervenção para determinar se as alegações que comprometem a teoria de que adoçantes de baixo teor calórico (low-calorie sweeteners, LCS na sigla em inglês) afetam a ingestão de calorias, e portanto o peso corporal, são comprovadas cientificamente. [Peter J. Rogers, Universidade de Bristol] Rogers apresenta uma breve revisão do sabor doce e três hipóteses que resultaram em alegações de que LCSs podem não ser benéficos no aumento de peso. Enquanto que a preferência pelo sabor doce é inata, a função da preferência humana pelo sabor doce não é tão clara. Alguns adotam a hipótese de que a preferência do recém-nascido pelo sabor doce assegura a ingestão adequada, embora não esteja claro por que a preferência por nutrientes com maior densidade calórica não é primária. Os estudos para entender o sabor doce utilizaram vários compostos doces, porém outros exploraram a relação entre o sabor doce e a ingestão de alimentos com base nas três hipóteses abaixo:

  • Os LCSs interrompem o controle aprendido da ingestão de energia (hipótese da confusão do sabor doce);
  • Exposição à doçura aumenta o desejo de doçura (hipótese da paixão por doce);
  • Os consumidores supercompensam conscientemente as ‘calorias economizadas’ quando sabem que estão consumindo LCSs (hipótese da supercompensação consciente).

Rogers revisou as evidências de estudos em seres humanos, animais e metanálises, e declarou: “as recentes metanálises de estudos controlados randomizados de efeitos agudos e de prazos mais longos em humanos encontraram evidências claras de que o consumo de LCSs comparado ao do açúcar reduz de fato a ingestão de energia e o peso corporal”. Estudos laboratoriais demonstraram que adultos e crianças consomem mais calorias em uma refeição-teste após consumirem LCSs do que quando consomem uma pré-carga de açúcar. Porém, a ingestão total da pré-carga e da refeição é menor quando as pessoas consomem LCSs do que com o açúcar. Como os estudos laboratoriais podem não ter resultados semelhantes aos dos cenários da “vida real”, foram também realizados estudos a longo prazo e demonstraram que a dimensão do efeito dos LCSs versus açúcar é −1·41 (95% CI −2·62, −0·20) kg para adultos e −1·02 (95% CI −1·52, −0·52) kg para crianças. Os estudos prospectivos também não demonstraram uma associação geral entre consumo de LCSs e peso corporal, mas deve-se ressaltar que a causalidade reversa pode ser evidente em alguns estudos com um efeito. Por último, os estudos com roedores demonstraram que LCSs reduziram o peso ou não tiveram efeito em camundongos e ratos.

Na revisão dos estudos em animais realizados para testar se os adoçantes de baixo teor calórico interrompem o controle do consumo de energia aprendido, Rogers observa que os resultados dos estudos iniciais não foram replicados e que os resultados contradizem a hipótese da confusão de sabor. Ademais, ele observa um problema com a linha de raciocínio de que a doçura poderia ser um guia útil no controle da ingestão de energia porque o nível de doçura não prevê de forma confiável o conteúdo energético de diferentes alimentos e bebidas na dieta humana.

Por fim, Rogers avaliou as evidências de que indivíduos podem supercompensar e consumir mais calorias do que os que “economizaram” consumindo um produto com LCS em comparação a um produto adoçado com açúcar. Ele observa que foram realizados estudos laboratoriais de curto prazo para reduzir o risco de os indivíduos perceberem a diferença entre produtos adoçados com LCSs e os adoçados com açúcar. Isto difere dos cenários da vida real em que consumidores provavelmente estarão cientes do consumo de um produto de energia relativamente baixa. O autor declara: “em suma, há poucas evidências de compensação consciente por consumo de LCSs. Os estudos, no entanto, não modelaram todos os usos cotidianos dos LCSs. Por exemplo, embora possa haver pouca ou nenhuma compensação consciente quando LCSs são substituídos pelo açúcar como parte da dieta para perda de peso com ‘contagem de calorias’, pode ocorrer compensação total ou até supercompensação quando a escolha do LCS é usada como desculpa pelo excesso. Por fim, a compensação consciente pode ser descartada como influência na ingestão total de energia se o consumidor não estiver ciente de que está consumindo LCSs.

Rogers chegou às seguintes conclusões sobre cada uma das alegações consideradas:

  • LCS e ingestão de energia: “doçura não é um prognosticador confiável de densidade de energia”, absolvendo, portanto, os LCSs da acusação de que interrompem o controle da ingestão de energia;
  • LCS e o desejo de doçura: os estudos indicam que o consumo de bebidas com LCSs não aumenta a ingestão de energia em comparação com a água, e pode ter a vantagem de satisfazer o desejo de doçura quando consumidas pouco antes ou com a refeição.
  • LCS e supercompensação: “há poucas evidências de compensação consciente pelo consumo de LCSs”. Na utilização de refeições-teste com pré-carga há uma compensação parcial na ingestão de energia pela diferença no teor de energia do LCS versus do açúcar.

A conclusão geral é que o corpo de evidências atual sugere que os LCSs podem reduzir o açúcar e a ingestão calórica total e que, no mínimo, qualquer efeito contraproducente dos LCSs são superados pela compensação incompleta pelo teor energético reduzido dos alimentos e bebidas com LCSs.

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