Adoçantes com baixo teor e sem calorias, glicemia e diabetes: o que diz a ciência?

Neva Cochran, MS, RDN, LD –

Histórico básico
A substituição do açúcar por adoçantes de baixo teor e sem calorias (low and no calorie sweeteners, LNCS na sigla em inglês) é uma maneira prática de reduzir a ingestão de carboidratos com o potencial de auxiliar os diabéticos a controlar melhor os níveis de glicose sanguínea e facilitar a perda de peso. (1) E também cria mais flexibilidade na dieta para acomodar as preferências pessoais e satisfazer o desejo de comer doces.

Circulam-se alegações de que os LNCSs podem de fato elevar os níveis de glicose sanguínea e promover o diabetes. No entanto, estas alegações baseiam-se em estudos realizados em ratos e camundongos. Embora estes estudos sugiram que adoçantes de baixo teor calórico podem alterar os micróbios intestinais que levam à intolerância à glicose e ao aumento no risco de diabetes tipo 2, os roedores não são humanos e o estudo é muito preliminar para modificar as recomendações atuais acerca do uso de adoçantes em diabéticos.

Estado da ciência
Por outro lado, uma revisão do estudo encontra respaldo significativo para o uso de LNCSs no controle do diabetes. Considere os resultados dos sete estudos publicados nos últimos trinta e dois anos resumidos aqui.

  1. Um estudo de 12 semanas com 47 homens normoglicêmicos consumindo aproximadamente 333 mg de sucralose encapsulada ou placebo 3 vezes/dia nas refeições não constatou nenhum efeito no controle da glicemia. Todos os níveis de glicose, insulina, peptídeo C e HbA1c estavam dentro do índice normal durante o estudo, sem diferenças estatisticamente significativas entre os grupos sucralose e placebo. (2)
  2. A metanálise de 29 ensaios clínicos randomizados com um total de 741 participantes avaliou o impacto glicêmico do aspartame, sacarina, esteviosídeos e sucralose. O consumo de LNCSs não elevou os níveis de glicose sanguínea, e a glicose diminuiu gradualmente após o consumo de LNCSs. Não houve diferença no impacto glicêmico por tipo de adoçante. E as mudanças nos níveis de glicose sanguínea em pacientes com diabetes tipo 2 foram menores em 1–29 minutos, 150–179 minutos e 180–210 minutos após o consumo de LNCSs comparados aos pacientes sem diabetes. (3)
  3. Os pesquisadores avaliaram o efeito da ingestão diária de aspartame sobre a glicemia a níveis de 0,350 ou 1.050 mg de aspartame por dia consumidos em bebidas com 100 indivíduos durante 12 semanas. Os resultados não demonstraram diferenças na glicemia sanguínea entre os grupos na linha de base ou na semana 12. (4)
  4. Um estudo japonês avaliou o efeito do aspartame sobre a glicose sanguínea administrada via oral a controles normais e 22 pacientes com diabetes não tratada e sete controles sem diabetes. A administração de uma dose única de 500 mg de aspartame (equivalente à doçura de 100 gramas de glicose) não elevou a glicose sanguínea. Pelo contrário, notou-se uma pequena mas significativa diminuição da glicose sanguínea 2 ou 3 horas após a administração. A diminuição da glicose sanguínea foi a menor no controle do estudo e elevou-se à medida que a severidade do diabetes aumentou. (5)
  5. Outro estudo foi realizado pelos mesmos pesquisadores japoneses acima. Em 9 pacientes hospitalizados com diabetes sob controle glicêmico em estado estacionário, os pesquisadores determinaram os efeitos da ingestão de 125 mg de aspartame (equivalente à doçura de 1,5 – 2,5 colheres de sopa de açúcar) na forma de gelatina sem calorias diariamente por 2 semanas. Os níveis de glicose sanguínea em jejum, 1 hora e 2 horas pós-prandial, não foram afetados. (5)
  6. Em um estudo duplo-cego multicêntrico, indivíduos com diabetes tipo 2 receberam cápsulas placebo (celulose) ou 667 mg de sucralose encapsulada diariamente por 13 semanas (7,5 mg/kg/dia, cerca de três vezes a ingestão máxima estimada). Não houve diferenças significativas entre os grupos sucralose e placebo no HbA1c, glicose plasmática em jejum ou alterações do peptídeo C sérico em jejum a partir da linha de base. (6)
  7. Por fim, em uma revisão sistemática dos benefícios nutricionais e riscos dos LNCSs, os autores concluíram que a grande maioria dos estudos não demonstra nenhum efeito agudo da ingestão de LNCSs na glicemia sanguínea ou concentrações de insulina mensuradas em estômago vazio ou após a refeição-teste em indivíduos com ou sem diabetes. (7)

Aplicações na prática
Em seus Padrões de Tratamento Médico para o Diabetes (8), a Associação Americana de Diabetes declara que LNCSs podem ser um substituto aceitável para os adoçantes nutritivos em pessoas diabéticas acostumadas com produtos adoçados com açúcar quando consumidos com moderação, observando que estes adoçantes não parecem ter um efeito significativo no controle glicêmico.

Em conclusão, esta revisão da evidência em humanos não respalda a afirmação de que LNCSs promovem a glicemia e o desenvolvimento de diabetes. É reconfortante saber que alimentos e bebidas com baixo teor e sem calorias são outra ferramenta que as pessoas podem utilizar como parte de um plano nutricional rico em nutrientes para auxiliá-las no controle do diabetes e promover a saúde.

    1. “The Role of Low-calorie Sweeteners in Diabetes” (O Papel dos Adoçantes de Baixo Teor Calórico no Diabetes) US Endocrinology 9:13-15, 2013.
    2. “A 12-week randomized clinical trial investigating the potential for sucralose to affect glucose homeostasis” (Ensaio clínico randomizado de 12 semanas investigando o potencial do impacto da sucralose na homeostase da glicose) Regul Toxicol Pharmacol 88:22-33, 2017.
    3. “Glycemic impact of non-nutritive sweeteners: a systematic review and meta-analysis of randomized controlled trials” (O impacto glicêmico dos adoçantes não nutritivos: uma revisão sistemática e metanálise de ensaios clínicos randomizados) Eur J Clin Nutr 72:796, 2018.
    4. “Aspartame Consumption for 12 Weeks Does Not Affect Glycemia, Appetite, or Body Weight of Healthy, Lean Adults in a Randomized Controlled Trial” (Consumo de aspartame por 12 semanas não afeta a glicemia, apetite ou peso corporal de adultos saudáveis e magros em estudo controlado randomizado) J Nutr 148:650, 2018.
    5. “Glucose tolerance, blood lipid, insulin and glucagon concentration after single or continuous administration of aspartame in diabetics” (Tolerância à glicose, concentração de lipídios no sangue, insulina e glucagon após administração única ou contínua de aspartame em diabéticos) Diabetes Res Clin Pract 2:23,1986.
    6. “Lack of effect of sucralose on glucose homeostasis in subjects with type 2 diabetes” (Inexistência de efeito da sucralose na homeostase da glicose em indivíduos com diabetes tipo 2) J Am Diet Assoc 103:1607, 2003.
    7. “Review of the nutritional benefits and risks related to intense sweeteners” (Revisão dos benefícios nutricionais e riscos relacionados aos adoçantes intensos) Arch Public Health 73:41, 2015.
    8. “Lifestyle Management: Standards of Medical Care in Diabetes – 2018” (Gestão do Estilo de Vida: Padrões de Tratamento Médico para o Diabetes – 2018) Diabetes Care 41(Suppl. 1):S38–S50, 2018.

Neva Cochran, MS, RDN, LD,é uma nutricionista clínica e dietética credenciada com base em Dallas. Ela atua como consultora de comunicação nutricional em diversas organizações de alimentação e nutrição, incluindo o Conselho de Controle de Calorias. Ela promove com fervor informações sobre alimentos e nutrição baseadas em fatos para ajudar as pessoas a desfrutarem de uma alimentação nutritiva. Siga-a no Twitter @NevaRDLD e dê uma olhada em seu blog na página www.NevaCochranRD.com.

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